Projeto Autoria de Contar Histórias e Arteterapia  

O Jogo Autoria de Contar Histórias é uma criação de Sônia Rodrigues e Maurício Mota.

Este nasceu de pesquisa sobre RPG, teoria da narrativa e estudos de Joseph Campbell sobre a trajetória do herói, o que facilita a articulação dos conteúdos emergentes com a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung e com a Análise Psico-Orgânica de Paul Boyesen: fios condutores da leitura simbólica arteterapêutica.

O jogo tem regras simples. São cartas com sugestões de histórias, perguntas sobre enredo, personagens e rumos que estimulam a criação livre, facilitando a expressão, integrando-se aos canais expressivos da Arteterapia.

É um instrumento que favorece o contato e a troca entre adolescentes com câncer, criando uma identidade em comum e trazendo situações que possibilitam a reflexão acerca do cotidiano, retratando o imaginário dos jogadores.

Através do jogo integrado a vivência arteterapêutica, os adolescentes descobrem suas afinidades e diferenças, podendo, juntos, refletir sobre questões que permeiam o universo do adolescer.

Quando integrado à Arteterapia o jogo torna-se tridimensional e ganha mobilidade.

Assim, os personagens ganham forma, movimento, expressão e música; os lugares onde a história se passa se transformam em cenário; a sonoplastia e o fundo musical embalam as cenas. O grupo pode interagir através de sons, formas, cores e movimentos.

Os diferentes canais expressivos facilitam a comunicação e o mergulho na temática emergente, trazendo conteúdos outros, revelando mais sobre cada participante.

Também favorecem as identificações e as projeções facilitando ao adolescente fazer articulações entre o material emergente no jogo e sua própria vida: suas percepções, escolhas, ações.

Sua aplicação com o públivo adolescente possibilitou a observação que há uma grande diferença entre a forma como temáticas são abordadas pelos pré-adolescentes e pelos adolescentes. No primeiro caso o cotidiano e o concreto se fazem presente; no segundo as histórias se passam praticamente nos universos imaginário e simbólico.

Na aplicação do Projeto junto a adolescentes com câncer, a integração entre o jogo e a Arteterapia revelou:

• Uma intensificação da troca entre os adolescentes com câncer intermediada pelo jogo;

• A construção de vínculos afetivos que se iniciam no atendimento e o extrapolam, na medida em que o jogo facilita identificação de interesses e necessidades comuns;

• A reflexão de conteúdos do cotidiano do adolescer com câncer numa casa de apoio;

• A postura que cada um assume no enfrentamento da doença;

• A ativação de recursos internos para lidar com o momento vivenciado;

• A grande dificuldade do grupo em imaginar o próprio futuro;

• A visão da vivência em uma casa de apoio como uma possibilidade para ascensão social da família e de si mesmo no caso de sobrevivência.

Nesta proposta, o Projeto foi aplicado em grupos de crianças e adolescentes portadores de neoplasia, semanalmente, de agosto de 2005 a março de 2008.

Este foi criado por Ana Luisa Baptista, coordenadora Geral dos Atendimentos em Arteterapia a Crianças e Adolescentes com Neoplasia e seus familiares hospedados numa casa de apoio no RJ.

Participaram do desenvolvimento das atividades deste Projeto: Daniela Rodenbach, Rosane Freitas, Priscila Kessedjian, arteterapeutas formadas pelo Incorporar-te: Espaço Terapêutico Corpo Artes, credenciado à AARJ.

No IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia Pediátrica e II Encontro Internacional de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos, realizado em maio de 2006 em São Paulo, o Projeto recebeu o prêmio de melhor Pôster, na categoria Contribuições à Prática da Psico-Oncologia.

 

 



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